quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sem direção



Cabeça vazia
Pensamento truncado
Queria ser uma folha
No alto daquela árvore
Esconder-me do mundo,
Da visão humana,
Dos anseios e medos

Ontem vi um cara de branco
Que cobria o rosto
Não sei o seu propósito,
Acho que não queria ser reconhecido
Sinto-me dessa forma...

Parem essa música,
O barulho me irrita!
Confunde minha cabeça.
Olhando para a assembléia
Minha mente vaga
Será que vou desmaiar?

Lembranças de rosas cálidas,
De pássaros encantados
Agora parecem tão distantes
No meio de um ermo me sinto
Vagando sem direção.

Tamires de Lima

domingo, 8 de maio de 2011

Mais um instante...




Só mais um instante
Só mais cinco minutos
Talvez apareça de repente
Como o vento...

O que aconteceu?
Ríspida se tornou a flor
Não conseguirei mais tocá-la
Não sentirei mais seu perfume
Não verei mais sua cor

Anos,meses,dias
Talvez se passem novamente
Trazendo a beleza do amor
Beleza essa que existe apenas
No coração de um sonhador...

Tamires de Lima




              

quarta-feira, 16 de março de 2011

Invenção




No arco da ponte
À luz do luar
A arte joga-se
Em meio à multidão

Suicida-se o medo
Suicida-se as trevas
Me jogo nessa imensidão

Escuto e não entendo
Apenas sinto
Sinto o vento brincar
Sinto a melodia no ar

O bêbado interrompe
Ponho-me a sorrir
Me jogo no tempo
Esqueço de ir

Ouço o som do cigarro
Ouço o soar da cruz
Sinto o cheiro dos passos
Sinto um gosto de luz.

Tamires de Lima

segunda-feira, 14 de março de 2011

Descanso



Acho que vou morrer hoje
Meu coração está muito apertado
Será que fiz tudo errado?
Uma angústia está invadindo o meu peito
Se continuar desse jeito
Não sei se vou agüentar...
Minhas pálpebras se fecham lentamente
Acho que vou dormir
Um sono lento e tranqüilo
E enquanto a Terra gira
O meu descanso é eterno.

Tamires de Lima

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Penso, logo existo...



Pensei em escrever algo
Pensei na vida
Sonhos, ilusões, barreiras
Pensei em desistir
Mas, como assim?
Sem nem tentar
Sem nem buscar
Vamos vivendo
Vamos continuar buscando
O caminho está
Sendo traçado a cada dia
Pronto, voltei a sonhar
Estou aqui para lutar
Uma guerra de amor e paz...

Tamires de Lima

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As crianças do Brasil





Salve, salve! Minha gente
Quero me apresentar,
O meu nome é Tamires
E tenho muito para falar
Por isso peço atenção
Na hora de me escutar

Os meus versos não são de amor
Nem tampouco de paixão
São versos de alguém triste
E com dor no coração
Pois vejo crianças largadas
Por este mundo, jogadas
Sem carinho ou atenção
Dormindo a céu aberto
Em algum lugar deserto
Onde a cama é o próprio chão

Criadas sem pai nem mãe
Vivendo sozinhas, vagando
Pedindo pra todos os santos
Para parar de sofrer
Pois nenhuma delas é culpada
E nem pediu para nascer

Exploração, morte e tragédia
É lição que o mundo ensinou
Pois não tiveram oportunidade
De serem alguém de verdade
Essa é a verdadeira face
De quem nunca estudou

Algumas sem opção
De não ter o que comer
Vivem com um canhão na mão
No meio da multidão
Só para roubar um pão
Pra de fome não morrer

Muita gente fala que elas
São o futuro da nação
Mas na hora de dar o exemplo
Não dão sua contribuição
Fazendo com que se espelhem
Em um bando de ladrão

Mas cadê a sociedade
Que tanto fala em ajudar?
E os políticos que prometem
Essa questão melhorar?
Será que fazem alguma coisa
Ou só falam por falar?

Por isso quero pedir,
Meu senhor e minha senhora,
Que nunca abandone seu filho
Nem sequer por uma hora
E sem esquecer a lição
Peço de joelhos no chão
Coloque seu filho na escola!