domingo, 7 de junho de 2015

Auras Enquadradas

Um rio forte e não comportado
E um corpo quente e ornamentado
Como uma espécie de santuário
Que eu abraço e faço preces

A grande lua vejo ao seu lado
Nas mãos geladas o sutil afago
São borboletas que se abalam
Se quebra a fala, então concerte

Respiração firme e compassada
Sorrindo a face bem espelhada
O vento sopra e as águas falam
De um assunto que tu conheces

Com as estrelas já recolhidas
A tela mostra em cores vivas
Bem enquadrado em tais medidas 
Tocar de aura que permanece.

Tamires de Lima

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Máquina de des(construção)



O tempo desbota ardores
Que antes riam de graça
Em sua paleta de cores
Só vejo o tempo que passa

O tempo desloca sabores
Faxina a cabine escassa
E o tempo tão pervertido
Devora flores e falácias

Eu hoje vivo num tempo
Que o tempo nem mais disfarça
Pois conforme o feto uiva
O tempo só vira fumaça. 

Tamires de Lima


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Poema de aniversário





Retornei ao espaço onde nasci
Degustei fagulhas de aniversário
Renovação cósmica eu bebi
Mas essa noite o vento foi meu berçário
Embalando meus sonhos tão azuis
Com o universo formando o imaginário


E com a Terra dando mais uma volta
Desde quando o meu choro foi ouvido
Havia lágrimas e um corpo que me amava
Hoje nada, o espaço foi estendido
Só os meus olhos se encontraram marejados
Me sinto só, meu choro nem foi sentido

E eu que nem sei quantas vezes no universo
Essa Terra ainda irá girar comigo 
Eu só sei que quando nasce a primavera
Nos setembros dos anos sustenidos
Mesmo com corpo triste e esvaziado
Quero mais sopro e mais tempo pra ser vivido

Tamires de Lima

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Escrever



Escrever
Ato solitário que explode
Que mexe com a mente
Da gente e de gente

De gente serena
De gente confusa
De gente estridente

Caminhando docemente nas palavras
Se derretendo em sílabas casadas
Se desmanchando no espaço loucamente

Escrever
Algo tão displicente
Que faz contorcer a calma
E o lápis contornar a alma
De gente, da gente...

Tamires de Lima

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

MENINA MARIA





Escorre o feto de afeto
Pelas pernas da menina Maria
Espelho da Vila escassa
Menina sem rumo
Sem rima;

Escreve o caminho incerto
Tão certo seria, Maria
Os olhos curvados, gelados
Olhar de espasmo que esguia;

E já não se ouve...
-Se cala!
-Acorde a Maria!
Com pés entre braços tombados
Sucumbe a menina, sozinha.

Tamires de Lima

domingo, 3 de agosto de 2014

FLOR DA PINTANGUEIRA



Morada de pássaros alegres
A flor da Pitangueira
Balança em sul e leste
A festa de abelhas vermelhas
Subiu o céu acima
Querendo buscar as estrelas

O fruto da Pitangueira
Vermelho como sol pungente
Quebrou seus movimentos
Descendo canoa abaixo
Buscando um novo lastro
Pra nascer em outros ventres 

É típica brasileira
A folha da pitanga
O cheio forte que exala
Seduz e incendeia
Nativa da mata atlântica
A formosa Pitangueira.

Tamires de Lima




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cenário molhado




Os pingos de chuva molham o asfalto
Onde deslizam os carros enxutos e molhados
Eles espirram furiosos para todos os lados
Ressacas poluentes e insistentes náufragos

Leva ao delírio os lábios apressados
Essa chuva que insiste em cair serena
Determinando o ranger de dentes ansiosos
Estradas inundadas, olhares claustrofóbicos

Perdendo o ritmo olhando nuvens cinzas
Escravizado em poças e em grandes saltos hipnóticos
A orla fluvial vira um caos furado
Depois do noticiário mostrar todos os estragos

Eu só olhei pela janela o líquido caindo 
Não desejei romper o ciclo natural da água
A respirei em sua forma gasosa
Toquei o orvalho no despetalar das praças


Tamires de Lima