quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sonho de uma noite de carnaval


Era um finalzinho de tarde quando eu e meus amigos estávamos indo para um rodízio de pizza. Todos muito ansiosos, pois não havíamos comido nada desde o dia anterior para aproveitar melhor o momento. Na avenida larga, já era noite e os passos apressados pareciam que de nada adiantavam. De repente, um barulho surgiu em meio àquele silêncio. Um olhou para o outro se perguntando o que acontecia... Era um trenzinho lotado de pessoas fantasiadas que tocava frevo e desfilava pela cidade, acompanhado de uma variedade de bonecos de 3 metros que se acabavam de dançar. 

As mulheres estavam vestidas de fada, as meninas de bailarinas e os meninos de jogadores de futebol, enquanto os homens preferiam as fantasias de palhaço. Se bem que... Aguardem as próximas linhas. Estávamos alegres de conhecer o carnaval pernambucano. Começamos até mesmo a cantar as marchinhas “Se a canoa não virar olê, olê, olá eu chego lá”. Porém, como quem não queria nada, veio em minha direção, em passos lentos, um homem com um spray na mão. Estava tão distraída com os bonecões que nem vi que o mesmo me seguia. De repente, senti uma coisa gelada próximo ao ouvido.Ele jogou todo o spray em meu rosto. - Ahhh, que raiva!!!  Eu exclamei irritada, limitando-me a dizer apenas isso. Na verdade queria chamá-lo de... Bom, vamos esquecer, também porque ele não tinha culpa. Eu que era sortuda de ter amigos tão legais que pediram para ele fazer aquilo, destruindo a maquiagem que eu havia levado horas para terminar. 

Depois desse episódio apressamos ainda mais os passos e quando atravessamos a ponte passando para o lado baiano, pensei que finalmente iria me deliciar com a bendita pizza. Engano meu. Ao descermos da barca avistamos um bloco onde todos se divertiam e pulavam como loucos. O pagode estava muito animado e uma multidão acabou nos puxando para aquela folia. Começamos a dançar “Ai se eu te pego”, mas quem me pegou de verdade foi a fome. Não tinha mais forças para suportar aquela situação. Pensei comigo mesma que se saísse daquele sufoco dividiria as minhas fatias de pizza com algum dos meus amigos. 

Desolada olhei para o céu que estava repleto de estrelinhas brilhantes e logo percebi que havia algo diferente. Uma corda tinha sido jogada do alto, em meio à avenida. Era um helicóptero que nos tirava daquele tumulto. Voamos uns dez minutos na tranqüilidade, sonhando em tirar a barriga da miséria, mas... Tudo foi em vão. O piloto estava indo em direção ao sudeste e nos deixou justamente em meio a uma escola de samba que desfilava incansavelmente. Mestre sala, porta bandeira, mulatas. Por todo lado que olhava todos sambavam e sorriam para os ventos. Naquele instante minhas esperanças haviam acabado. Decidi simplesmente curtir o momento e acabei descobrindo que tinha samba no pé. Ali estava eu e meus amigos cantando o samba enredo conformados, sem saber que no final de tudo o “rango” era certo. 

E assim aconteceu, quando tudo finalizou houve pizza para todos os lados. O cheiro era muito bom... Delícia que fez nossas bocas encherem d’água. A fatia havia sido tirada, mas quando ia levá-la à boca ouvi um grito. Minhas pálpebras se abriram rapidamente e o sonho acabou bem no momento em que eu ia comer. Meus amigos bradavam sem cessar... Estava no sofá deitada, sonhando e babando, enquanto todos riam da minha cara. Pior que isso só mesmo o vídeo que postaram no youtube. Agora, de verdade, ia comer a pizza. Mas, desta vez pedimos por telefone, pois depois de um pesadelo desses era melhor prevenir do que sambar.

Tamires de Lima

domingo, 22 de janeiro de 2012

Te quero pra mim




Eu quero você 
Me pegando no colo
Se enrolando em meus cachos

Em sol, praia e mar


Eu quero você 
Sorrindo pra mim
Dizendo que sim

E deixando eu te amar



Eu quero você 
Todas horas do dia
Dizendo bom dia
E a noite também

Eu quero a palavra
Que me arrepia
Que me faz fantasia 
Ao chamar de meu bem 

Eu quero a delícia 
Da tua mordida
Do sabor desta vida
Do sereno cantar 


Eu quero o acorde
Mais lindo tocado
Eu quero o gingado

De você a dançar


Eu quero o suor 
Que sai do teu corpo 
Olhar em teu olho
E chamar de paixão 

Eu quero o gesto 
Mais lindo existente 
Um beijo ardente 
Em pura explosão


Eu quero menino 
A sua atenção
Oh, sonho tão doce

Que eu sempre quis 


 Eu quero o teu cheiro
Que persegue tanto
Que causa encanto

E me deixa feliz


Eu quero provar 
Tua doce bebida 
Te quero pra sempre 
Não quero um fim 

Eu quero sentir 
Teu abraço bem forte
Seja em sul, seja em norte
Te quero pra mim

Tamires de Lima

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Mergulho ao coração


Em águas cristalinas
Um banho sem igual
Renovo-me por dentro
Sublime e especial
Nos olhos desenvolvo
Nos lábios pura expressão
Em meio a tantos náufragos
Mergulho em teu coração

Tamires de Lima

domingo, 8 de janeiro de 2012

Conectado ao seu coração




Átomo primordial
Estrela irradiante
De tão doce sorriso
Coração exorbitante

De voz suave, sublime
Como acordes da chuva que cai
Olhar centrado, maligno
Que aos poucos se desfaz

Seduz de forma branda
És raio, és trovão
Com o som de sua sinfonia
Consolo meu coração

Com tamanha nitidez
Me invade a solidão
Parece-me tão real
Desvarios, ilusão...

Logo percebo a realidade
Num céu distante estás 
Ao lado de outras estrelas 
De outros astros brilharás

Procuro uma lembrança
Algum sonho talvez...
Encanto gera pranto
Perdi o jogo de vez


Mas presente está sua essência
Estrela cadente em explosão
O espaço fico observando
Conectado ao seu coração.

Tamires de Lima

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um novo ato



Quando então o show acaba,
As velas se apagam,
O choro entra e converte tudo em lágrimas

Coração pulando pela boca
Sentimento amargo que invade alma
Arrependimento por algo certo
Convexo, complexo
Errado

Fale-me sobre sua vida
Conte-me seu passado
Noites em claro, jogado ao lado
Peito aberto, apunhalado
Visões estremecidas
Olhos baixos
Frio que faz morder os lábios
E congelar o coração
Ele pulsa, repulsa e cala

Saia de mim
Pule para fora do meu eu

Um verde sorriso
Um olhar tracejado
Molhado, regado com água dos mares
Os vales não são os mesmos
Todo seu regalo foi jogado ao vento
Num piscar de olhos

Universo falso, tremendo
Tremendo como os meus lábios

Esvaece agora todo o castelo em chamas
O recomeço brada o meu nome
Incessantemente

Adeus tão nobre oblíquo
Terra à vista me espera

Ponho minha âncora enfim
Saio do mergulho intenso
E piso os meus pés em terra firme
As luzes se acendem para um novo ato.

Tamires de Lima

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Você





Você me faz conjugar o verbo instigar
Diferente de outros, em qualquer lugar
Personalidade forte e declarada
Em cada verso da sua face mostrada...


Eu percebo cada detalhe, cada expressão
Em sua linha, de pensamento a flor cai sobre o chão


Será outono? Não sei...

Se fores agora o que farei?
 
Olhe a corda rapaz, acorde meu bem, acordes tocados livremente
Simbologias traçadas sobre sangue viril enaltecem
Por que não me olhas nos olhos? 

Você me esclarece?

Entre em sintonia comigo! 

Deixe-me ser teu jazigo
 Não brigues garoto, o preto que queres está sobre ombro pressuroso
Não sejas tão tolo se tentas me enganar com esse sorriso meticuloso
 
Não sinto o perfume da rosa que exala
Não vejo a hora que passa calada

Só sinto uma falta, sua falta

A água que escorre, percorre estradas
Percorre veleiros, percorre fachadas
O vazio continua, a voz grave ecoa
Só sua imagem permanece 

Com a misteriosa sonhadora.

Tamires de Lima

sábado, 8 de outubro de 2011

O futuro da nação




Agora vou lhes contar
Cum grande satisfação
A história de um caipira
No meio de uma confusão
Por causa de um assunto
Chamado preservação

O seu nome? Zé das Cabrita
O nome que falo aqui
Mas porque o meu cumpade
Era chamado assim
Eu também nunca entendi
Pois cabrita eu nunca vi

Mas vortando a história
Com o que acontecia
O Zé estava confuso
Valei-me Virge Maria
No meio de tanto matuto
Era aquela gritaria

É que ele tinha falado
Que o mundo tava no fim
Pra sua vaca Mimosa
Que tava cumeno capim
Mas a dona Generosa ouviu
E foi logo dizendo assim:

- Corre dona Filomena
Tu que parece um avestruz
Vai dizê lá na novena
Rezem pra ter uma luz
Pra correrem, se esconderem
O mundo se acaba em cruz

O escarcéu tava formado
Mas que grande confusão!
Até a vó Juventina
Com o vô Sebastião
Correram feito uma bala
Parecendo um tufão

Começaram a dizer
- A causa é um furacão
Outros diziam: - É nada
Parece que é um vulcão...
- Mas será que bicho é esse
Que abre um buraco no chão?

A mocinha que namorava,
Atrás da igreja, correu
Dizendo: - Vem amorzinho,
Vamos ver o que aconteceu
Deve ser o pai que vem
Com o facão “João Dirceu”

Filomena espalhou
O fato num instantinho
E como vocês estão vendo
Aumentou só um pouquinho
A história verdadeira

Que o Zé disse baixinho

E assim se sucedeu
E a história ia aumentando
E depois de um tempinho
Os temas foram alongando
Com várias explicações
De fulano e de beltrano

E ouvindo tudo aquilo
Zé das Cabrita a pensar
- Esse é o momento certo
Pra esse povo se ligar
Aprender a dar valor
E parar de desperdiçar

Então ele subiu no pé
De uma mangueira e falou
- Junto com todos vocês
Minha gente agora estou!
E nem terminou de falar
Que uma senhora não deixou

Lhe tomando a palavra
Não o deixou continuar
Com os olhos esbugalhados
Como se fossem pular
Perguntou com insistência:
- És Jesus pra nos sarvá?

O Zé ficou irritado
- Não é nada disso não!
Peço que agora ouçam
E prestem bastante atenção
Pois o assunto é muito sério
É sobre o futuro da nação

Todos sabem quem eu sou
Num preciso me apresentar
Então vou logo dizer
Para vocês explicar
Tudo que na minha garganta
Estava a engasgar!

Esse lugar de tanto encanto
Por nós tudo abandonado
Não sei em que estão pensando
Nosso mundo está largado
Pois com o nosso bem maior
Está faltando cuidado

Na natureza hoje em dia
Tem muita devastação
Pois pessoas matam as árvores
E matam por diversão
Num sabem que estão acabando
Com o bem dessa nação

Quantas vezes as pessoas
Falam em conservação
Fazendo vários projetos
Visando a preservação
Mas depois em um lugar perto
Jogam lixo nesse chão

É necessário atenção
Mas ninguém pensa em cuidar
E daqui a pouco tempo
Os nossos rios vão secar
E até as nossas casas
As enxurradas vão levar

A água é muito boa
Está em todo lugar
Mas com esse desperdício
Vai mesmo se acabar
Por isso cuidem bem dela
Pra vida continuar

Até a minha vaquinha
Que dá leite pra beber
Vai morrer de fome
Sem ter capim pra comer
E todos os nossos bichos
Não vão sobreviver

Ninguém mais se atreveu
Depois daquele sermão
A jogar lixo no ambiente
Poluindo o nosso chão
Passaram a todo dia
Pensar em conservação

Então tudo deu certo
Fazendo um final feliz
E eu espero que vocês
Escutem o que Zé nos diz
Seja João, Chico ou Maria
É só isso que se quis

Também pensem em cidadania
Vamos desse mundo cuidar
É necessário harmonia
Pra poder continuar
E a regra desse jogo
É apenas preservar

Tamires de Lima